Projeto de Simulação Geopolítica do Ifes (SiGi) leva alunos do ensino médio a discutirem temas de relevância em todo o mundo

Vestidos com roupas que remetem a vestimentas tradicionais de países árabes, africanos, asiáticos ou com bandeiras de nações como Uruguai, Estados Unidos, alunos do Campus Aracruz debatem questões diplomáticas mundiais como a crise dos refugiados, a fome mundial ou guerra nuclear. Seja qual for o tema em discussão, quem entrar na sala durante uma reunião desse grupo vai se sentir em meio a uma discussão da Assembleia Geral da ONU. Essa é a premissa do projeto de Simulação Geopolítica do Ifes (SiGi), no qual os alunos de cursos técnicos integrados ao ensino médio transformam-se em delegados que defendem interesses de um país ou grupo político.

Material de estudo é levantado por alunos mais veteranos. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

O projeto, uma parceria entre os campi Aracruz e Vitória, foi idealizado pelo professor de Geografia Helder Januário da Silva Gomes, e se inspira na MiniOnu, programa realizado pelo Departamento de Relações Internacionais da PUC Minas que objetiva levar temas internacionais aos alunos do ensino médio e que realiza anualmente assembleias com participação de estudantes de todo o Brasil.

Por meio  do engajamento de estudantes, formam-se comitês (ambientes de simulação de organismos internacionais ou instituições nacionais) que serão palco de discussões de temas relevantes da agenda mundial. Cada comitê procura reproduzir o que acontece na realidade. Para tanto, esses alunos passam por um período de preparação em suas escolas. O material de estudo é levantado por alunos mais veteranos, que assumem o posto de diretores-gerais dos comitês.

Talismar Gonçalves, professor de Geografia do Campus Aracruz, explica que já foram debatidos pelos estudantes temas como crise do Petróleo em 2050, guerra da Criméia, invasão do Kosovo, intolerância religiosa, direitos humanos, entre outros, com os alunos encarnando representantes das mais diversas nações. O projeto aborda disciplinas como Geografia, História, Sociologia, Língua Inglesa e Portuguesa.

Trata-se de um projeto pedagógico com concepção abrangente de aprendizado. Ele se insere no conjunto de simulações das Nações Unidas realizadas em todo mundo por meio da simulação de fóruns internacionais e reuniões diplomáticas”, explica Talismar.

O posicionamento de cada país no debate tem que ser condizente com as características do cenário real. Por exemplo, um representante dos EUA tem que adotar em seu discurso uma posição conservadora semelhante à postura do presidente Donald Trump.

Aluna Larissa Prates

Durante o ano são realizadas reuniões, que servem de ensaio para a Assembleia Geral da SiGi, evento anual com duração de quatro dias nos campi Aracruz e Vitória . Participam alunos de ensino médio de diversas escolas públicas estaduais, federais e particulares.

Direitos humanos

Aluno do curso técnico em Química, Wanderson Rangel Barbosa, 18 anos, está em seu quarto ano de participação na SiGi e pela segunda vez será diretor-geral de um dos comitês, que vai abordar neste ano os direitos humanos sob a questão do militarismo mundial.

Para ele, o projeto dá ao estudante discernimento para discutir diversos temas de âmbito mundial, desde crises políticas e econômicas até lutas por direitos de classes minoritárias e marginalizadas. “Nosso Estado não tem o costume de valorizar a participação dos jovens nas decisões políticas, e a SiGi trabalha justamente nessa questão do protagonismo juvenil, promovendo o desenvolvimento do senso crítico dos jovens e a consolidação dos seus argumentos. É crucial que os jovens saibam discutir e saber como anda a sua sociedade”, afirma.

Aluno Octávio Ferreira

Jackson Correia Júnior entrou no Ifes em 2011, no ano que o projeto foi idealizado para a primeira participação na MiniOnu da PUC-MG, e esteve presente na primeira SiGi, em 2013, quando foi lançado o modelo próprio de simulações no Campus Aracruz. “Além de você exercitar a sua oratória e ter o conhecimento de geopolítica, para mim o que mais marcou foi a possibilidade do aluno exercitar sua argumentação, em qualquer área de estudo você precisa saber negociar, ceder e se impor”.

Após fazer o Técnico em Química integrado ao ensino médio, o estudante de 21 anos revela que foi o projeto que o fez mudar de rumos para hoje cursar Direito na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). “Com a SiGi eu pude me envolver com projetos na área de Humanas, o que não aconteceria em um curso da área técnica”, diz o universitário, que mesmo fora do Ifes ainda participa como convidado-consultor das assembleias.