Curso ministrado a professores da região ajudou a deixar as aulas de rede pública muito mais atrativas

Localizado em uma das regiões com maior déficit educação do Estado, o Campus Ibatiba quer mudar esta realidade. No ano passado promoveu um curso de formação continuada para professores da rede municipal de ensino da região. Para 2017, o projeto vai focar na formação para professores de língua inglesa. As aulas estão previstas para começar no segundo semestre. “A tendência é o programa ganhar relevância de especialização e, quem sabe, até um mestrado”, explica o professor Gilberto Mazoco.

Quando nasceu, o objetivo do programa era colaborar com o aprimoramento do processo didático-pedagógico  por meio do desenvolvimento e da capacitação dos docentes. Nessa primeira turma participaram profissionais que atuam nas séries finais do ensino fundamental das redes municipais de Ibatiba, Iúna e Irupi.

O curso teve a participação de 29 professores das disciplinas de Matemática, História, Ciências e Língua Inglesa. Nas atividades, eles eram incentivados a levar o ensino para além das paredes das salas de aula, e foram capacitados para elaborar projeto de ensino, uso de tecnologias e suas aplicações, técnicas de meio ambiente e ludicidade.

“Os professores estão cansados de observar aquele formato de curso robotizado, com fórmulas estabelecidas. Eles querem aprender, mas às vezes há dificuldades financeiras, de transporte, entre outras. Aqui, eles ajudaram na construção do curso. A região está distante e esquecida. Vimos que seria interessante para as cidades vizinhas compartilharem suas experiências”, aponta o coordenador do projeto, Gilberto Mazoco.

Reinvenção

Com o curso, os docentes foram instigados a se reinventar na sala de aula. “Os professores tiveram retorno imediato nas aulas. Os alunos perceberam as mudanças. O curso enriqueceu o trabalho do professor. Ele ganhou aprimoramento e começou a organizar a aula de maneira diferente”, avalia Valdete Maria da Silva, pedagoga da Secretaria de Educação de Ibatiba.

Para Silésia das Graças, professora de Matemática da rede municipal de Ibatiba, o mais interessante foi a dinâmica de troca de experiências. “Todo o conhecimento que pudemos discutir e relacionar com o cotidiano dos alunos, hoje aplicamos para as turmas. Um ponto positivo foi a questão da avaliação. A formação permitiu reflexões, além de voltar a rever questões teóricas, como também as didáticas e de metodologia. Os profissionais, em sua grande maioria, buscaram materiais que já existiam nas escolas, mas não estavam sendo utilizados, como jogos, equipamentos, e passaram a usar na aprendizagem dos alunos”.

Simone Medenval é professora da rede pública e participou do curso de formação continuada

Compartilhando conhecimento

Como o curso acontecia de forma mensal, os professores tinham a oportunidade de compartilhar a cada encontro os projetos desempenhados nas salas de aula. Simone Medenval, professora de Ciências da EMEIF Agenor de Souza Lé, no distrito de Criciúma, acredita que o curso fez os docentes saírem do tradicional.

“Aprendemos a desenvolver ideias para serem aplicadas nas salas de aula. Trabalhamos um projeto sobre o tratamento de água e fizemos uma maquete da estação de tratamento para os alunos saberem como funcionava. Criamos cata-ventos para o aluno estudar a transformação de energias dentro das aulas de ciências. Isso tudo ajuda a despertar o interesse do estudante”.