Estudantes e professor participam de projeto que ensina técnica de beneficiamento de café

Vivendo um período de consolidação no mercado brasileiro, o ramo de cafés especiais tem se tornado uma maneira dos agricultores agregarem valor ao produto. Na região serrana do Estado, um projeto desempenhado pelo Campus Venda Nova do Imigrante está impulsionando o cultivo dessa linha de cafés, a partir do estudo de técnicas de beneficiamento do produto, que já é o responsável pela maior parte da renda das propriedades rurais da região.

Professor Lucas Louzada coordena a pesquisa. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

A pesquisa é feita no Laboratório de Análise Sensorial de Café do campus por um grupo de três alunos bolsistas do Bacharelado  em Ciência e Tecnologia de Alimentos, sob o comando do professor Lucas Louzada. O projeto atende os produtores de forma gratuita, em duas frentes de trabalho: na análise sensorial ou na pesquisa de processamento.

Bolsista Luiz Henrique. Foto: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Ao longo de três anos, mais de 500 famílias de pequenos produtores de café, desde Alfredo Chaves até a Zona da Mata de Minas Gerais, foram atendidas de forma direta ou indireta pelo laboratório de beneficiamento de café, e mais de 3 mil amostras foram processadas. Somente para este ano existe a previsão do processamento de mais 1500 amostras.

“É claro que existem regiões que são mais ou menos propícias para um bom café, mas dá para entregar para o consumidor algo melhor do que a natureza lhe proporciona. O ponto-chave é a higiene, feita com rigor. A natureza faz a parte dela, mas o produtor tem a chance de colocar em prática ações de beneficiamento pós-colheita. Mostramos aqui que é possível elevar o nível da qualidade e valorizar em até 10 vezes o preço do café através de técnicas de secagem, torra e armazenamento”, explica Lucas Louzada.

Além do próprio professor, os três bolsistas do projeto foram capacitados e aprovados como Q-Graders, uma certificação internacional dada a profissionais de classificação e degustação de cafés. Em todo o mundo existem apenas 2 mil pessoas com essa licença, obtida após rigorosa bateria de provas olfativas e gustativas. Com essa certificação, os estudantes estão aptos a participar como juízes em concursos internacionais de cafés

Os bolsistas, todos filhos de pequenos produtores de café, passaram a aplicar as técnicas de beneficiamento em suas plantações. Em pouco tempo, já alcançaram uma valorização de mercado por estarem apostando em cafés especiais. O aluno Dério Brioschi Junior já prioriza a produção de cafés especiais e, pela segunda vez, está exportando a safra sem intermediários para os Estados Unidos e Chile, ganhando uma valorização três vezes maior do que a do mercado interno.

“O interessante de participar do projeto foi poder conhecer melhor o meu produto e buscar outros mercados, de acordo com a qualidade do meu café. Para se garantir no ramo de cafés finos, é necessário seguir um padrão rigoroso de processamento após a colheita”, explica.

João Paulo Marcate, aluno do curso de Ciência e Tecnologiaem Alimentos. Foto Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Também aluno do curso de Ciência e Tecnologia em Alimentos, João Paulo Marcate conseguiu agregar valor na produção de café conilon que sua família tem no interior de Conceição do Castelo, após aplicar as técnicas pela primeira vez na safra. “Consegui uma valorização de cerca de 10% no preço da saca, mesmo vendendo no mercado regional. Para a próxima safra, se eu buscar um comprador de fora da região, devo conseguir uma valorização ainda maior”.

Já Luiz Henrique Bozzi teve que passar por um período de testes para convencer a família sobre as mudanças a serem implantadas na produção. Eles cederam 20% da lavoura para ele fazer os experimentos por conta própria. “Introduzi mudanças no sistema de poda, adubação e no método de secagem. A primeira safra serviu de análise interna e conseguiu convencer a família. A partir deste ano, 100% da propriedade será dedicada à produção de cafés finos”, afirma o bolsista.

Foto: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta