Outro projeto do Campus Linhares recupera computadores que poderiam ir parar no lixo. Depois de consertados, parte deles é doada para pessoas em vulnerabilidade social.

Desde 2012, mais de 300 máquinas foram recolhidas pelo projeto, criado pelo professor Carlos Jones Rebello Júnior, dos cursos Técnico  em Automação e superior de Engenharia de Controle e Automação. A maior parte dos equipamentos é doada, o restante é utilizado nas aulas. Também foi construído um laboratório de informática inteiro com máquinas recicladas.

“Quando entrei no Ifes, notei que muitos alunos não tinham conhecimento nenhum de informática ou computadores em casa. Eram alunos em vulnerabilidade social, sem condições de comprar um computador. Como eu trabalhava com recuperação de computadores, vimos uma oportunidade de ajudar essas pessoas. Buscamos doações de artigos de informática de quem não estava usando. Levei a ideia para a direção do campus e escrevemos a primeira versão do projeto”, explica o docente.

Professor Carlos Junior e o aluno Gabriel Furtado. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

De acordo com o professor, cerca de 60% de máquinas conseguem ser recuperadas para doação. E mesmo quando não é possível reativar o computador, suas peças acabam sendo aproveitadas em trabalhos acadêmicos de alunos do Campus Linhares. Até uma urna eletrônica para eleições do grêmio estudantil foi feita com placa mãe, HD e fonte de um computador antigo. No fim, apenas 10% de tudo que é recolhido e doado ao campus acaba mesmo sendo descartado em usinas de tratamento de lixo digital.

“Quando não conseguimos montar um computador, os periféricos e peças são utilizados para outros fins. Quando é tecnologia muito obsoleta, conseguimos aproveitar as peças para matéria prima de cursos técnicos”, explica Carlos Júnior.

Estudante do curso técnico em Automação, Gabriel Furtado, 17 anos, colabora com o projeto na triagem, montagem e recuperação das máquinas. Para ele, além de atender as pessoas que precisam,  a iniciativa também é uma oportunidade de colocar em prática conhecimentos aprendidos na sala de aula.

“Já conseguimos montar vários equipamentos com peças de computadores queimados. Já foi feito um giroscópio com discos de HD que estavam queimados, um motor de HD foi usado como mancal para equilibrar plataforma de uma balança e até um ímã já foi usado em sala de aula para fazer processo de separação de materiais metálicos”, enumera o estudante.

Uma das mais novas conquistas do projeto foi montar um laboratório de informática inteiro apenas com máquinas que iriam para o lixo. Os equipamentos foram recuperados de um lote com mais de 120 computadores estragados pela enchente que atingiu a escola que serviu de instalação para o o Campus Barra de São Francisco em 2014.

Começamos a trabalhar em 25 máquinas desse lote que estava abandonado há dois anos. Elas tinham ficado submersas na lama e foram dadas como destruídas. Em dois meses de trabalho intenso conseguimos montar um laboratório inteiro feito apenas com esses aparelhos. Desde monitor, CPU, teclado, mouse e periféricos, como  materiais de rede, tudo veio da lama”, explica o professor.

Doação

A assistente social do Campus Linhares faz a triagem dos alunos em vulnerabilidade, que entram em uma fila de prioridade para receber uma máquina recuperada. Com o passar o tempo o projeto foi  ampliado e passou a atender também pessoas de fora da instituição. Foi criada uma parceria com a Associação dos Deficientes de Linhares (Adefil) e com associações de moradores, igrejas e entidades sociais de bairros carentes da cidade, que também passaram a receber equipamentos reciclados.

Maria da Conceição, Julia e Antonio receberam um computador do Ifes

Entre os atendidos está a família de Antônio Luiz Sobrinho, da comunidade de Santa Cruz. O computador mudou a realidade de todos na casa, principalmente dos filhos Julia, de 10 anos, e Antônio Filho, de 8, que é cadeirante. “Com o computador, o Antônio pode aprende a ler melhor. E também serve para ele passar o dia jogando e se divertindo”, explica a irmã.