Com a ajuda da tecnologia, pesquisadores monitoram áreas rurais, apontam problemas e ajudam os agrônomos a aumentarem a eficiência das lavouras

Você já imaginou, com um simples sobrevoo de um robô, identificar quais áreas de uma plantação não estão saudáveis ou mapear quais as áreas que precisam ser irrigadas? Pode parecer filme de ficção científica, mas essa realidade não só já existe como está sendo estudada no Campus Serra. Em um futuro próximo, os responsáveis pelo projeto acreditam que esse tipo de tecnologia será comum nas fazendas do Estado.

O professor Daniel Cavalieri demonstra como o drone é usado no monitoramento de lavouras. Foto: Tati Hauer – Estúdio Gazeta

Por meio de um veículo aéreo não tripulado (Vant), mais conhecido como drone, os pesquisadores podem monitorar áreas rurais amplas e analisar uma série de variáveis. Com os dados coletados, é possível diagnosticar problemas e auxiliar os agrônomos na tomada de decisões, aumentando a eficiência das lavouras.

A espécie escolhida para ser analisada pelo estudo é o café. Não à toa, já que o Espírito Santo e o segundo maior produtor do país e o primeiro quando se trata do conilon.

“Essa tecnologia já é utilizada em países como os Estados Unidos, mas, no Espírito Santo, temos um mercado pouco explorado na área de automação agrícola. Por isso tivemos a ideia de trabalhar com visão computacional, que une as áreas de sistemas inteligentes e processamento”, explica o coordenador do projeto, o professor Daniel Cruz Cavalieri.

A pesquisa teve início em 2015, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). O primeiro passo foi adquirir os equipamentos necessários: além do drone, outro dispositivo crucial é uma câmera especial, a Nir, que capta espectros de luz que não são visíveis a olho nu, o chamado infravermelho próximo. É por meio das imagens dessa câmera que os pesquisadores podem visualizar áreas pouco irrigadas e plantas atingidas por doenças, por exemplo, e mapear toda a plantação conforme o diagnóstico.

O trabalho de campo é feito no Campus Itapina. “Lá, os professores têm experiência de 25 anos, sabem exatamente o que acontece com cada árvore, e mesmo assim ficaram impressionados com as possíveis aplicações da tecnologia. Na primeira vez, fomos exatamente na época da crise hídrica no Estado e podemos ver que a plantação estava com diferentes níveis de irrigação, em quais plantas faltavam nutrientes, por exemplo”, lembra Cavalieri, que é formado em Engenharia Elétrica e tem mestrado de Sinais Biológicos e doutorado em Sistemas Inteligentes cursado parte na Ufes e parte em uma universidade da Espanha.

As aplicações da tecnologia são infinitas. “No caso das lavouras, também é possível monitorar queimadas, fazer monitoramento das curvas de nível e adequar a plantação, entre outras finalidades”, explica o coordenador. “Imaginamos que, em breve, muitas fazendas vão se utilizar a tecnologia. É um equipamento caro, cerca de R$ 10 mil incluindo o drone e a câmera Nir. Mas, para o produtor, é um investimento muito bom, porque os benefícios são impressionantes.”

Inovação

Além dos resultados práticos, a pesquisa envolve um caráter científico importante. O trabalho de Wilson Guerra, um dos alunos ligados ao projeto, por exemplo, é tentar reproduzir, por meio de um software, o que câmera de infravermelho faz, já que somente esse equipamento custa mais de R$ 6 mil.

É nessa etapa que efetivamente entra o desenvolvimento de sistemas inteligentes. Segundo Cavalieri, o programa já funcionou nos testes realizados no campus. Agora, é necessário reunir uma boa base de dados, para garantir a robustez do sistema.

E os envolvidos na pesquisa pensam em, futuramente, apresentar os dados coletados a produtores rurais do Estado. “Até porque temos uma grande mão de obra para a pesquisa no campus, com alunos de engenharia e sistema de informação”, diz o coordenador.