Alunos do curso técnico em Administração colocam em prática o que aprendem em sala de aula no Laboratório de Gestão & Negócios

Orientados por professores, alunos fazem a gestão de todas as etapas de um negócio. Fotos: Wilton Prata – Estúdio Gazeta

Para estudantes de um curso técnico, colocar a mão na massa é imprescindível para se capacitar para o mercado de trabalho. Aliar a teoria aprendida na sala se aula com o dia a dia da profissão abre os horizontes e, de quebra, conta muitos pontos do currículo. Pensando nisso foi criado o Laboratório de Gestão & Negócios, vinculado ao curso técnico em Administração do Campus Cariacica.

Nesse espaço, que funciona dentro do campus, os alunos do 4º ano são responsáveis por gerir todas as etapas de um negócio real, do controle de estoque à contabilidade, passando por recursos humanos e prospecção de mercado. Cada passo é supervisionado pelos professores, mas quem realmente toca o negócio são os alunos. E tudo que acontece ali dentro vira assunto para a sala de aula.

“Identificamos que o curso tinha atividades interessantes, mas não havia um laboratório de práticas. Os alunos aprendiam os conteúdos, mas nunca tinham vivido uma atividade real de trabalho, até pela idade deles, 16, 17 anos. Eles queriam trabalhar, o curso tinha essa perspectiva, mas nenhum deles tinha acumulado nenhum tipo de experiência na área comercial ou administrativa”, conta o coordenador do projeto, o professor das disciplinas de Desenvolvimento de Produtos e Marketing Frederico Pifano.

O Laboratório de Gestão & Negócios teve início em 2015 e o modelo foi pensado para atender a uma realidade dos alunos e da comunidade em torno do Ifes, que é o orgulho de fazer parte da instituição, que vinha desde a antiga Escola Técnica. Inspirados nas universidades americanas e europeias, em que estudantes usam camisas, bonés e outros itens com a marca dos centros de ensino que guardam para toda a vida, alunos e professores desenvolveram plano estratégico de como seria o laboratório e criaram uma linha de produtos.

O espaço já comercializa camisas em três cores (R$ 25), squeezes (R$ 8) e adesivos e existem planos para mais de 10 novos produtos. “Queríamos usar peças que os alunos utilizassem não como uniforme, mas em qualquer lugar, e que fossem comercializados pelos alunos, para os alunos, e com todos os recursos destinados de volta aos alunos”, explica Pifano. “Outro critério nosso é que não poderia haver exclusão devido a condições financeiras. Então, o preço de todos os produtos que temos no laboratório é sempre abaixo do mercado, com qualidade sempre alta e com design que converse com o cotidiano.”

O laboratório funciona três vezes por semana, nos turnos matutino e vespertino, e duplas de alunos se alternam na atividade. Todos os estudantes têm rotina administrativa para cumprir. Eles assinam uma espécie de livro de ponto, assinam um contrato de termo voluntário de trabalho e recebem uma bonificação por hora trabalhada, segundo o coordenador.

Neste ano, o Laboratório de Gestão & Negócios ofereceu pela primeira vez o summer job, em que alunos foram contratados para gerenciar o espaço durante o período de férias.

“Identificamos que os calouros que iriam entrar no Ifes queriam a camisa que vendemos, mas alunos e professores estariam de férias. Então, convidamos alguns alunos da iniciação científica, que foram contratados por uma semana, para uma jornada de oito horas por dia. Eles receberam o valor proporcional ao salário mínimo do período. Essa prática agora está instituída”, comenta Pifano.

E o projeto tem dado bons frutos. Além de  professores conseguirem ilustrar melhor em sala de aula as dificuldades de gerir uma empresa, os alunos têm usado a experiência no laboratório para alcançar bons postos de trabalho ou conseguir um estágio melhor, já que as atividades à frente do Laboratório de Gestão & Negócios engorda o currículo.

Trabalhar no laboratório é um outro mundo, completamente diferente, porque pegamos o que aprendemos na teoria, que pode ser muito maçante, e conseguimos colocar em prática. Você vê a diferença e consegue levar para a vida. Como funciona como iniciação científica, podemos colocar no currículo. É um ganho muito maior do que se eu tivesse feito só a teoria e, ao chegar a uma empresa, não soubesse como aplicá-la”. Kellen Cristine Gonçalves, 18 anos

Moletom

Durante as atividades de pesquisa para lançamento de novos produtos, o laboratório identificou a demanda por mais de 10 itens, como bonés, material escolar e moletom. Esse último ganhou a preferência dos alunos do projeto, que agora batalham para colocá-lo nas prateleiras até junho.

“Eles têm desejo de lançar milhares de produtos, mas sempre discutimos sobre como torná-los financeiramente viáveis. Como a margem de lucros do laboratório é muito pequena, essencialmente para manutenção e compra de novos produtos, eles aprendem a gerenciar recursos. Estamos atualmente discutindo modelo, tipo de malha, cor, aplicação de sile… tudo isso com qualidade e preço acessível”, adianta o coordenador do projeto.

O laboratório também busca parcerias com empresas que apoiam ideologicamente o projeto, que entendam a importância do aprendizado. “Estamos em contato, por exemplo, com uma marca de bebida energética e uma empresa capixaba de moda surf wear que se interessaram pela atividade”, revela Pifano.

“Estou achando a experiência muito legal, porque tivemos três anos só com teoria durante o curso. Era muito texto, muita história, mas a gente nunca viveu isso na prática. No laboratório, interagimos de verdade com o universo da administração. Quando você lê um caso nos livros, você pensa numa coisa, mas quando você vive a realidade percebe que não é idêntico. Quando unimos teoria e prática acumulamos experiência e temos uma compreensão melhor do assunto” Nara Emily Erler, 18 anos.