Estudantes do Ifes que participam da Asimov colecionam premiações em competições nacionais e até mesmo em eventos internacionais

No andar superior do Campus Colatina, as paredes do laboratório estampam desde a foto de Steve Jobs – um dos fundadores da indústria de computadores Apple – até o desenho de um Transformer – personagem de ficção científica ora robô, ora carro. A decoração faz justiça às atividades desempenhadas por um grupo formado por cerca de 40 alunos dos cursos técnicos em Informática para Internet, Administração e Edificações, e superior em Sistemas de Informação. Criada há dois anos, a premiada equipe de robótica Asimov coleciona títulos em competições de tecnologia.

Equipe de robótica do campus – Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Nas competições, equipes enfrentam desafios de futebol em 2D e montagem de robôs com kits educacionais (Standard Educational Kit – SEK), ambos voltados para alunos de ensino superior, e provas teóricas e práticas de robótica, para alunos de ensino médio. Os estudantes conquistaram medalhas de ouro na XV Competição Latino-Americana de Robótica (LARC) e no XIV Competição Brasileira de Robótica (CBR), além do bronze na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) 2016 na categoria Teórica.

Segundo o professor Igor Carlos Pulini, um dos criadores do projeto, a ideia de formar um time de robótica surgiu para incentivar os alunos a programar de forma mais fácil e criativa, para que eles pudessem ver na prática o que as aulas de programação poderiam fazer.

A equipe começou em 2015 com três alunos do ensino superior de Sistemas de Informação e um do curso técnico integrado em Informática. Hoje são cerca de 40 alunos, inclusive de cursos como Edificações, Administração e Arquitetura e Urbanismo.

“Passamos a ter resultados melhores integrando com outros cursos, 30% da equipe são de outros cursos. O pessoal da Administração organiza os eventos, ajuda a levantar fundos, fazer marketing, e os estudantes de Arquitetura e Edificações ajudam na estrutura, organização e montagem do robô”, explica o professor.

Os alunos que participam do projeto  têm uma carga de trabalho a cumprir. Cada equipe conta com dois professores orientadores, que semanalmente se reúnem com os times e passam tarefas a serem cumpridas. Mas no período que antecede as competições, esse ritmo de trabalho se torna mais frenético. “Próximo a competições, passamos a ter encontros diários e ficamos até  a noite no laboratório”, explica Igor.

Estudante de Sistemas de Informação, Caian Monteiro, 20 anos, pretende seguir a área de robótica, trabalhando em automação ou até mesmo dando aulas de informática. “Desde criança eu brincava com peças de lego, fazendo montagens de objetos. Acho que esse foi meu início nessa área de robótica”, brinca, ele que faz parte da vitoriosa equipe de Standard Educational Kit (SEK), na qual os alunos de graduação precisam montar robôs autônomos.

A estudante do 2º ano do  técnico integrado  em Informática, Brenda Comper, entrou para equipe quando a Asimov era composta apenas por estudantes do nível superior. Ela esteve no time que conquistou o campeonato estadual disputado no ano passado na categoria de robótica prática. Na ocasião, alunos configuraram robôs para desempenhar atividades pré-programadas, como desviar de obstáculos e apanhar objetos.

Após a conquista local, a equipe formada apenas por alunos de cursos técnicos integrados ao ensino médio ficou na 30ª colocação entre as quase 3 mil equipes participantes do campeonato nacional. “Fiquei encantada quando eles passaram nas salas explicando como funcionava o time e informando que estavam abrindo vagas para estudantes do nível médio também. Ano passado ganhamos o estadual. Foi uma surpresa porque enfrentamos equipes que já eram do 4º ano, que já haviam competido várias vezes”.

A jovem de 16 anos, uma das mais novas da equipe, morava no interior de Colatina e até o ano passado, quando se matriculou no Ifes, nunca havia tido contato com a robótica.

Eu morava na roça e só vim para o centro de Colatina para estudar no Ifes. Acredito que no futuro a robótica vai influenciar em todas as profissões, inclusive na Medicina, carreira que eu pretendo seguir”.

Mundial no Japão

Lucas, Roberto, Leonardo e Alexandre (da esquerda para a direita) fazem parte do time de futebol 2D

O time está prestes a fazer a sua primeira disputa fora do país. O time de futebol 2D, categoria mais antiga e acirrada dentro das competições da robótica, conquistou o campeonato nacional e agora vai disputar o Robocup 2017, o mundial da categoria no Japão, no mês de junho.

A equipe ganhou o direito de ir para o outro lado do mundo depois de sagrar-se campeã no primeiro ano de participação na Competição Latino-Americana de Robótica (LARC), em Recife-PE, com uma vitória sobre a equipe do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), atual tricampeã brasileira.

Era um clima de partida de futebol, com torcida e tudo mais. Foi uma experiência única, era tudo novo para a gente, em especial para mim, que nunca havia participado de nada desse tipo. E só a possibilidade de ir para o Japão já dá uma animação maior para trabalhar”, relembra Roberto Mendes, 20 anos, aluno de Sistemas de Informação.

Para o professor Diego Rossi Mafioletti, um dos orientadores da Equipe Asimov, muito mais do que a parte acadêmica, o grupo de robótica tem influenciado também no perfil social dos estudantes. “O pessoal da informática é naturalmente mais fechado nessa  questão do convívio, esse perfil nerd, eles chegam mais acanhados, mas com o tempo passam até a se comunicar melhor, ficam mais extrovertidos”, avalia.