Projeto é desenvolvido por 25 estudantes da graduação em Engenharia Mecânica e dos cursos técnicos em Mecânica e Eletrotécnica

 

O estudante Lazaro Ernesto não esconde a felicidade após mais uma volta rápida a bordo do carro baja no Campus São Mateus. Encarando terra, grama ou lama, o piloto e capitão da equipe Sama Baja mostra que a evolução do veículo está no caminho certo.

O Sama Baja tomou contornos de projeto de extensão e hoje é composto por 25 estudantes, sendo 16 do curso superior de Engenharia Mecânica e nove dos cursos técnicos em Mecânica e Eletrotécnica. Os alunos participam de todo o projeto de fabricação do carro de forma artesanal e sem dispor de equipamentos automatizados. A rotina de testes, consertos, inovações e melhorias necessita de um grande nível de entrega dos estudantes.

Além do aprendizado na parte técnica, tem também o trabalho em equipe, a dedicação. A motivação dos alunos acaba virando a motivação também dos professores, isso é gratificante. Trata-se de um projeto completo para formação do técnico e do engenheiro”, afirma Nelson Henrique Bertollo Santana, professor de Eletrotécnica e um dos orientadores do Sama Baja.

No projeto, os estudantes colocam em prática conceitos da mecânica como máquinas térmicas, transmissão, fabricação, soldagem, pintura dos carros, manutenção, análises de falhas. Já os  alunos da Eletrotécnica são responsáveis por áreas como sensoriamento, programação com microprocessador, escolha e implementação da transmissão de dados em rádio frequência.

“A competição de baja é a maior oportunidade que um estudante de engenharia pode ter na sua vida, você trabalha com prazos, sob pressão, tem que ter uma gestão com setores definidos, as empresas acompanham as provas e valorizam a competição nos currículos. É uma chance imensa de conseguir um estágio em uma grande empresa do setor”, afirma Lázaro, veterano no projeto.

Em 2016, o time mateense ficou em 44º lugar entre as 88 equipes participantes do Baja SAE Brasil. Na disputa caseira, foi a melhor equipe capixaba na categoria “Relatório de Projeto”. “Nossa meta é ficar entre os 10 na classificação geral nas próximas edições”, afirma Lazaro.

A competição, que dura quatro dias, tem um regulamento desde o projeto do carro até a pilotagem. Os carros são submetidos às provas de segurança, conforto e freio. Se for detectado algum problema técnico, a equipe ganha um prazo para acertar o carro antes de uma nova avaliação. Caso reprovado, o time não participa da corrida, que fecha a competição. O enduro dura quatro horas, e a equipe tem que dar o maior número de voltas possível no circuito de terra, piscina de lama e rampa.

O projeto do carro off-road tem que ser resistente e passar por qualquer tipo de terreno. Para tudo dar certo, o time conta com a valiosa contribuição dos estudantes dos cursos técnicos. João Vitor Miranda, aluno do Técnico Integrado em Eletrotécnica, vem desenvolvendo um inovador sistema de telemetria no carro, que responde às situações físicas como velocidade, temperatura, nível de combustível, entre outros, transformando tudo em informação digital enviada ao box da equipe durante a competição.

“Temos bastante carga teórica, mas pouca aplicação real. Entramos para desenvolver toda a parte elétrica e eletrônica do veículo. Respondemos pelo sensoriamento e telemetria do baja. Daí trouxemos todos os nossos conhecimentos técnicos de elétrica. A parte mais importante é o fato de trabalhar em equipe, ter prazos a seguir, funcionamento como o organograma de uma empresa, passamos a responder com mais responsabilidade ao que é pedido”, aponta.

Confira a galeria de fotos do Sama Baja

 

Além das pistas

O objetivo do projeto não é apenas a construção do carro off-road para competição. Os membros do programa são incentivados a se envolverem em atividades que ultrapassem as fronteiras da comunidade acadêmica, como: cursos de capacitação para alunos de outras instituições públicas e privadas, nas áreas de fabricação e engenharia automotiva. Também está sendo estudado pela equipe a adaptação do veículo baja para utilização na agricultura.

Além das atividades técnico-científicas o Sama Baja apoia projetos sociais, como o Criança Feliz, no qual crianças carentes são apadrinhadas pelos alunos e servidores, que desenvolvem atividades lúdicas e fazem doação de brinquedos, arrecadação e doação de alimentos e prestação de serviços para instituições carentes.