Projeto do campus estimula interesse de jovens pela conservação da biodiversidade e os capacita para a implantação de um sistema de monitoramento de espécies ameaçadas

Cercado por uma das pequenas partes que restaram da Mata Atlântica no território capixaba, o Campus Centro-Serrano leva a discussão sobre a preservação do meio ambiente para a sala de aula. Desde o ano passado, 11 alunos da escola foram selecionados para participar do Núcleo de Observadores da Natureza (Nona), projeto que tem o objetivo de estimular o interesse de jovens da região pela conservação da biodiversidade e capacitá-los para a implantação de um sistema de monitoramento de espécies ameaçadas.

O Nona é vinculado ao projeto Muriqui, coordenado pelo professor da Ufes Sérgio Lucena Mendes, e visa criar núcleos de ciências em escolas em regiões de Mata Atlântica. Além do campus, outras quatro escolas da região participam do projeto, sendo três de Santa Maria de Jetibá e uma de Santa Teresa. Segundo estimativas de ambientalistas, só restam cerca de 8% da Mata Atlântica original em todo o território brasileiro.

Davi, Letícia, a professora Mariana e Larissa pesquisam o que pode estar ameaçando o meio ambiente- Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Para participar do núcleo, o pré-requisito é que o aluno seja morador de região de mata. “Esses alunos vão alimentar um sistema de monitoramento criado pela Ufes. A ideia é que os alunos do Nona pensem oficinas para outras escolas e demais moradores da região, desde o planejamento das ações até a execução, se tornando verdadeiros multiplicadores das questões socioambientais”, explica a professora de Biologia Mariana Petri, do Campus Centro-Serrano, e representante do projeto na escola.

Estamos em uma das regiões mais importantes do Estado em termos de Mata Atlântica. Não tem como o meio ambiente não ser uma preocupação do campus . Esses alunos são, em sua maioria, de famílias donas de propriedades aqui da região. É fundamental fazer com que eles saiam daqui com um pensamento ambiental e conhecendo a biodiversidade que têm no quintal de casa. No futuro os proprietários vão preservar”, conclui a professora.

Uma das etapas do estudo é levantar as principais ameaças às espécies da região, como caça predatória, queimadas, além de poluição de solo e água pelo uso de agrotóxicos. Moradora de Santa Maria de Jetibá, a estudante Larissa Strey, do 3º ano do técnico integrado em Administração, entrou para o Nona no ano passado e acredita na conscientização da população como plataforma de mudança de atitudes ecológicas e na relação com o meio ambiente.

Em uma etapa do projeto, fomos em uma reserva em Santa Teresa e aprendemos como fazer mudas e reflorestar. E agora queremos trazer isso para os demais alunos do Ifes e multiplicar essa ideia”, adianta a estudante, de 18 anos.

Mesmo cursando o técnico em Administração, Letícia Schulz acredita em uma ligação entre as atividades econômicas empresariais com o meio ambiente. “As empresas daqui têm por obrigação estarem atentas para as questões ambientais por ser uma região de mata. Infelizmente, as pessoas acham que o meio ambiente é um bem que não vai acabar. Quem trabalha com agropecuária costuma desmatar  para ampliar a produtividade e acaba não pensando nas consequências”, avalia.

O estudante Bruno Breciani também defende o projeto. Ele, ao lado das duas colegas, vai assumir o trabalho de multiplicador dos conhecimentos dentro do próprio campus e para os demais moradores e estudantes da região. “A preocupação é com a ecologia. Temos que aprender a administrar a nossa região. O Nona nos capacita a entender como proteger a fauna da região”, afirma.