Projeto realizado por professores e alunos dos cursos técnicos do Campus Cachoeiro de Itapemirim mostra que a disciplina pode ser muito mais divertida do que parece

Alunos do Campus Cachoeiro de Itapemirim. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Com apenas alguns comandos, labaredas de fogo dançam ao som de músicas. O show nada mais é do que experimentos realizados por estudantes do Campus Cachoeiro de Itapemirim durante uma apresentação do Show da Física, projeto criado há quase cinco anos  no campus pelos professores Whortton Vieira Pereira e Eliseu Semprini Filho.

A ideia do projeto, que foi inspirado em um programa similar realizado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), consiste em uma apresentação de conceitos da Física de forma teatral, com experimentos lúdicos e cômicos. O show é comandado por 18 alunos  de cursos técnicos integrados ao ensino médio, que realizam cerca de dez experimentos envolvendo princípios como velocidade, som, eletricidade, termodinâmica, entre outros.

Os estudantes são voluntários e ensaiam em horários alternados de seu turno escolar para as apresentações na Jornada Acadêmica de Ciência, Tecnologia e Cultura (Jacitec) que acontecem anualmente no campus. “Os alunos ficam de dois a três anos no projeto, que tem o elenco renovado para a entrada de novos integrantes, selecionados do primeiro ao quarto anos”, explica o professor Whortton.

O show também já foi apresentado na semana do “Ifes Portas Abertas”, evento de divulgação da instituição  com a visita de estudantes das escolas da cidade  ao campus. Em 2015, o Show da Física recebeu um convite da prefeitura e realizou apresentações no Teatro Municipal de Cachoeiro. As três sessões foram realizadas com o local lotado.

Em média são realizadas seis apresentações por ano. O show cumpre dois papéis: divulgar a ciência e o Ifes”, afirma o professor Eliseu. “Apesar de sermos nós, professores, que escolhemos os experimentos, o show é todo dos alunos, que a cada ano dão a sua própria cara às apresentações”, comenta o docente.

Assim como em uma apresentação de mágica, os alunos fazem as experiências, mas não revelam os seus “segredos”. “As pessoas nos procuram e perguntam como são feitos os truques. Mas a nossa ideia é não entregar o conceito de mão beijada, e sim instigar que eles façam uma pesquisa, descubram por conta própria”, explica Thomas Nascimento, de 16 anos, estudante do curso técnico em Mecânica.

“A reação do público é o mais interessante. É uma diversão sair daquela mesmice do dia a dia das salas de aula. E é muito legal poder propagar essa ideia do estudo para outras pessoas”, diz Paulo Victor Secco, estudante do curso de Mecânica.

Alunos olímpicos

Enquanto alguns alunos colocam os conceitos da física em prática no palco, outros estudantes do Campus Cachoeiro de Itapemirim também dão o seu show, só que nas provas teóricas.  Alunos dos cursos técnicos integrados ao ensino médio do campus têm brilhado nas Olimpíadas Científicas nacionais de disciplinas como Matemática, Física e Astronomia, trazendo medalhas para o Sul do Estado.

Dono de três medalhas em competições nacionais nos últimos dois anos, Allan Gonçalves Henriques, aluno do terceiro ano do curso integrado de Eletromecânica, destaca que as provas, apesar de teóricas, exigem uma aplicabilidade prática por parte dos competidores.

“O que mais usamos nessas Olimpíadas é o raciocínio lógico. Não adianta nada você saber muito bem a matéria, mas não conseguir aplicar os conceitos nos exercícios propostos”, afirma o estudante, prata na Olimpíada de Robótica em 2016 e duas vezes medalhista de prata na Olimpíada de Astronomia.

As provas são abertas para todos os alunos, que vão se classificando para as demais fases mediante nota obtida nos testes aplicados na própria escola ou em locais próximos. “São examinados os conceitos básicos aprendidos durante determinadas séries e criam problemas exigindo um nível de complexidade maior e cobrando uma solução prática”, diz Jônatas Silveira da Silva, aluno do 4º ano  do Técnico em Informática e bronze na Olimpíada Brasileira de Física.

Além deles, os estudantes Lucas Fernandes Vanderlei (prata em 2015 e 2016 nas Olimpíadas de Matemática e bronze em 2015 na Robótica) e Giovanni de Freitas Lima Dalvi (bronze no nacional de Astronomia 2016 e de Matemática em 2015) conquistaram medalhas para o campus nos últimos anos.