Campus aposta  na conscientização dos jovens através de parcerias com escolas municipais de ensino fundamental

Apesar de Piúma ser uma rica região ecológica, com várias unidades ambientais, paisagens naturais e parques, um dos pontos turísticos mais conhecidos do litoral Sul do Espírito Santo também acaba sendo muito degradada pela intervenção humana, com lançamento de esgoto e resíduos nas praias, nas ilhas e no mangue. Desde o início de suas atividades, o Campus  Piúma tem colocado em prática projetos voltados para a educação ambiental dos moradores. A aposta tem sido na conscientização dos jovens através de parcerias com escolas municipais de ensino fundamental.

Professor Thiago Holandacoordena o NEA. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Um desses projetos é o “Diagnóstico integrado para a sustentabilidade das Ilhas do Município de Piúma”, desempenhado pelo Núcleo de Educação Ambiental (NEA), que promove mutirões de limpeza das praias e caminhadas ecológicas nas regiões de Piúma, com ações de educação ambiental realizadas em parceria com quatro escolas municipais de Piúma: José de Vargas Scherrer, Manoel dos Santos Pedroza, Céu Azul e Itaputanga.

A pesquisa, que foi contemplado pelo edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), compreende o monitoramento quinzenal em cada ilha litorânea de Piúma. O estudo teve início em outubro do ano passado com a fase de capacitação dos estudantes. A etapa seguinte será a coleta de dados e, por fim, será publicado um livro com os resultados do projeto. Os alunos das escolas municipais vão participar de todas as etapas do processo.

O professor Thiago Holanda Basílio, especialista em gestão e educação ambiental, coordena o NEA desde 2012, quando começou a dar aula no Ifes. “A proposta do projeto de extensão é se inserir na comunidade e ensinar aos pescadores e estudantes para que possam entender a complexidade ecológica da região, onde tudo está interligado com a natureza”, explica.

Durante as atividades de pesquisa, os estudantes são divididos em três equipes. Uma faz uma coleta não destrutiva de organismos na praia usando rede de arrasto. Os organismos coletados são identificados, catalogados, pesados e devolvidos ao mar. A outra equipe faz o monitoramento da costa rochosa, fazendo a análise dos quadrantes de cada uma das ilhas de Piúma. E a terceira fica na terra fazendo monitoramento dos manguezais. As três equipes fazem também a coleta do lixo em cada uma de suas áreas de atuação.

Para Thiago, a degradação ambiental de Piúma interfere na produção pesqueira e na qualidade de vida da própria população que mora na região. “O homem influencia e é influenciado por essa destruição ambiental, por isso propomos essas ações de preservação e manutenção dessas áreas para que elas possam ter uma sustentação. Percebemos a necessidade de transpor as barreiras da instituição através de um projeto de extensão, fazendo essa relação com as escolas da região e levando um pouco das informações que trabalhamos aqui no Ifes para os estudantes do ensino fundamental”, explica o professor.

João Vitor Valiati, 13 anos, aluno do oitavo ano da escola José de Vargas Scherrer, participa das atividades desde outubro do ano passado, e apesar da pouca idade já esbanja uma consciência ambiental de dar inveja em muitos adultos. “O que mais desperta a minha curiosidade é o jeito como são cuidadas as áreas das ilhas. Basicamente quando vamos a campo, a gente faz coleta de resíduos, plástico mole e duro, metal, entre outros. Se não cuidarmos do meio ambiente isso tudo que a gente tem hoje a nossa disposição pode não existir mais”.

Pescador de Saberes

Outra ação desempenhada pelo Núcleo de Educação Ambiental do Campus Piúma é o projeto “Pescador de Saberes”. Vários membros da comunidade local, entre pescadores, marisqueiras, donos de peixarias, artesãos e grupos folclóricos foram convidados a compartilhar conhecimentos por meio de palestras em formato de entrevistas, realizadas no auditório do campus, para estudantes do Ifes e comunidade em geral de Piúma.

As palestras, realizadas durante o decorrer do ano passado, foram gravadas e serão compiladas em um livro com previsão de ser publicado ainda neste ano. A ideia é que a publicação sirva de referência para enaltecer a cultura popular do balneário.

Os convidados são pessoas que não tiveram formação técnica, mas tem um saber de vivência muito forte, que precisa ser valorizado pelos mais novos. Um exemplo são os artesãos que confeccionavam redes de pesca. Hoje o pescador já compra uma rede pronta, mas não faz ideia do conhecimento desses trabalhadores populares e de sua importância histórica para a comunidade”, explica o professor Thiago Holanda.