Criação do Campus Centro-Serrano abriu uma janela de oportunidades para os jovens da região que sonhavam em estudar

Alunos da EMUEF Adolpho Pagung veem no Ifes a possibilidade de continuarem os estudos

Em dois anos de funcionamento, o Campus Centro-Serrano está mudando a realidade da região onde está inserido. Construído no distrito de Caramuru, entre as cidades de Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina e Domingos Martins, está trazendo uma nova perspectiva para os jovens locais e também para o desenvolvimento da Região Serrana do Estado.

O campus abriga cerca de 360 alunos nos cursos técnico integrado e subsequente em Administração. Mesmo sem estar totalmente finalizado – ainda está em expansão, com a construção do segundo bloco acadêmico – a chegada do Ifes trouxe o asfaltamento da principal estrada de acesso, a construção de um campo de futebol soçaite e a instalação de uma rede comercial nos arredores.

A presença na região se tornou um incentivo para alunos das escolas públicas de ensino fundamental. “O Ifes realiza projetos chamando os nossos alunos para visitar a instituição. As salas de aula do campus são decoradas de forma lúdica para receber crianças entre 6 e 11 anos e reforçar a importância da leitura. Os meninos são tratados como futuros alunos do campus. Essas crianças são filhos de agricultores, eles estudariam no máximo até o fim do ensino fundamental por aqui. A comunidade está descobrindo o Ifes aos poucos”, afirma Rosiane Soares Ponath, professora da EMUEF Adolpho Pagung.

Guilherme Lemke, 21 anos, diz que campus trouxe novas oportunidades. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Para Guilherme Lemke, 21 anos, a inauguração do campus uniu a chance de dar prosseguimento aos estudos com a oportunidade de arranjar um emprego. Ele trabalha como auxiliar de serviços gerais de manhã e à tarde, e estuda na instituição à noite. Desde janeiro deste ano ele está estudando na primeira turma do curso subsequente de Administração oferecido na instituição.

“Terminei o ensino médio, e como muitos aqui na região, tive que parar com os estudos. Fiquei um tempo apenas trabalhando na roça, até que em março de 2015 entrei aqui como funcionário terceirizado. Logo depois me interessei em fazer o curso subsequente, oferecido para quem já se formou no ensino médio”, diz.

Ele reforça a importância da instituição na sua vida. “Após a criação do Ifes voltei ao sonho de fazer um curso superior. Quero seguir na área de Administração. Quem tinha um futuro incerto na lavoura agora pode ter novas oportunidades de vida. Na roça, durante o período de seca, você não consegue produzir e desenvolver a lavoura. Não tem garantia de renda fixa. Aqui no Ifes você sabe que vai ter o dinheiro certo no final do mês”, afirma.

O agricultor Edemilson Marcolino, morador do distrito de Garrafão, em Santa Maria de Jetibá, a cerca de 40 km do campus, é pai de dois alunos no Ifes. Para ele, muito além da formação aos seus filhos a escola tem contribuído para o crescimento da região.

“Essa área do campus era tudo mato. Chegamos a duvidar que o Ifes viria mesmo para cá. O desenvolvimento vai ajudar a área se transformar em uma das mais valorizadas do município. Transporte público está chegando à localidade. A região é propícia para cursos do ramo de agricultura, preservação do meio ambiente. Acredito que em breve haverá maior oferta de cursos que vão contribuir ainda mais para a evolução e a produtividade da comunidade”.

Andressa Ianke, Marcus Vinicius Gama e Eduarda Barreto vieram da Grande Vitória para ingressar na primeira turma do curso de Administração. Agora perto de concluir o curso, com duração de três anos, eles comparam o quanto a região mudou no período.

Quando chegamos para fazer a prova, não existia asfalto. Não se achava a região nem no Google Maps. Já cheguei a perder tênis por causa da lama que pisava para chegar na escola”, relembra Marcus Vinicius, 17 anos, de Cariacica.

“A iluminação era precária, não tinha nada de comércio, agora tem restaurante, comércio, academia, farmácia, sorveteria”, compara Andressa, 17, que veio de Vitória.

“Os comerciantes viram a oportunidade de abrir negócios aqui nas proximidades. Até casas estão sendo construídas ao redor do campus para alugar aos alunos de fora”, completa Eduarda, 18, que saiu de Vila Velha para estudar no interior.