Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção está mapeando áreas de plantação orgânica, para criar intercâmbios entre produtores e fazer um roteiro turístico

Referência estadual no estudo da relação entre o produtor rural e o meio ambiente, o Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica do Sul do Estado (Neases), do Campus de Alegre, está mapeando as propriedades rurais que praticam técnicas agroecológicas para a criação de um catálogo informativo do setor e, futuramente, um roteiro de agroturismo na região do litoral Sul ao Caparaó.

Geraldo Dutra e Greice Kelly observam resultados obtidos na horta. Foto: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

O trabalho, que começou a ser executado em agosto do ano passado, visa oferecer capacitação por meio de um curso de 160 horas divididos em seis temáticas para produtores trocarem experiências e haver uma difusão maior das práticas de cada produtor. Serão mapeadas as propriedades que trabalham com agroecologia, produção orgânica ou que estão em transição para a produção agroecológica.

Professor do Ifes e coordenador do Neases, Wallace Luís de Lima explica que o levantamento ainda está em fase de execução, mas já foi identificada a existência de 164 propriedades na região. As informações catalogadas por um grupo de oito bolsistas da instituição serão disponibilizadas em um aplicativo para celular, que servirá de roteiro para visitas de turistas nas propriedades.

A agroecologia é uma ciência multidisciplinar que preza o saber popular dos agricultores. Trata-se de uma cultura de produção mais próxima do que a natureza pode nos oferecer. É necessário difundir a ideia de que não é preciso derrubar a mata nativa dentro de uma propriedade para fazer a sua produção rural. A plantação tem que respeitar a natureza, adequar-se à realidade do local. Esses agricultores estão tendo uma diversificação de renda e aumentando a qualidade de sua própria alimentação, já que na maioria dos casos se trata de pequenas propriedades com parte da produção dedicada à subsistência”, explica o professor.

Com 20 anos de experiência no trabalho de educação ambiental e agroecologia, Geraldo Dutra é um dos bolsistas do Neases que foram capacitados durante seis meses para fazer o trabalho de sensibilização dos agricultores dentro da agroecologia. “Sempre encontramos produtores interessados em parar de usar veneno em suas lavouras, que pretendem ter sua própria semente, mas não têm acesso a isso. Nosso papel é fazer essa ponte de reeducação”.

Instalado desde 2012 em um espaço de 30 hectares no Campus de Alegre, o terreno do Neases possui 2,4 hectares de área dedicada ao cultivo experimental de espécies por meio de técnicas agroecológicas, entre elas, alface, couve, cebolinha, salsa, pimenta, rabanete, jiló, quiabo, banana, abacate, ingá e maracujá. Atualmente, a produção é destinada ao refeitório do campus e para a distribuição de sementes para produtores da região.

Sementes crioulas

Um dos projetos do Neases foi realizado por estudantes do curso técnico integrado em Agroindústria com o uso de sementes crioulas, que não possuem modificação genética e podem ser multiplicadas por meio do plantio.

A professora Renata Alves da Silva, que passou a atividade para as alunas, elogiou a iniciativa das estudantes em dar prosseguimento ao que foi aprendido na pesquisa. “Fizemos contato com o Neases, porque sabíamos que eles tinham um estudo na linha da semente crioula, e recebemos todo o apoio que precisamos para a pesquisa de campo. As meninas acharam importante dar continuidade ao projeto e não guardar esse conhecimento para elas”.

As estudantes Paula da Silva Soares e Pâmela Tatagiba fizeram parte do grupo que fez o estudo. Após a entrega do trabalho teórico, a equipe teve a ideia de levar o conhecimento para a prática e criou uma pequena plantação de milho feita apenas com sementes crioulas. As sementes cultivadas serão novamente compartilhadas para dar continuidade à disseminação das espécies. Dos 200 gramas iniciais de semente de milho, estima-se que serão redistribuídos de sete a oito quilos de sementes. “Se a gente cuidar da alimentação hoje, vamos colher melhorias em nossa saúde futuramente”, afirma Pâmela.

As meninas fizeram o plantio das sementes crioulas e agora só aguardam a colheita para fazer a redistribuição.