Um dos projetos de pesquisa visa estudar as características da areia comercializada para a construção civil no município 

Perto de completar 12 anos de atividades, o Campus Cachoeiro de Itapemirim tem expandido seu raio de atuação na comunidade  por meio de projetos de extensão e pesquisa que envolvem estudantes da rede pública de ensino do município. Uma dessas frentes de pesquisa visa estudar as características da areia comercializada para a construção civil no município e está sendo desenvolvida em parceria com os alunos do ensino fundamental da EMEB Julieta Deps Tallon, no bairro Zumbi.

O projeto de iniciação científica júnior “Estudo da característica granulométrica da areia comercializada para construção civil no município de Cachoeiro de Itapemirim” foi homologado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), que pretende atrair jovens estudantes para o mundo das ciências, com a possibilidade de vivenciar o ambiente universitário e despertar o interesse em dar continuidade aos estudos.

A pesquisa, iniciada em 2015, deve ser concluída no segundo semestre deste ano e conta com 10 alunos bolsistas do ensino fundamental, que passaram a aplicar noções de Geografia, Matemática, Ciências e Informática e que podem auxiliar os estudos em sala de aula.

“Hoje são poucas as construtoras que exigem que se faça análise na qualidade da areia utilizada nas construções em Cachoeiro. Ela deve respeitar uma medida. Areia muito grossa ou muito fina além do aceitável faz com que a massa perca resistência”, explica Eliseu Romero, professor da disciplina de Beneficiamento de Minérios no Campus Cachoeiro.

Além do aprofundamento no mundo das pesquisas científicas, a extensão também visa levar aos estudantes do ensino fundamental uma vivência dentro de grandes instituições educacionais. Os alunos  – que recebem uma bolsa de R$ 100 mensais  – participam diretamente de todas as etapas do estudo, desde ir a campo e coletar amostrar da areia para realizar a análise granulométrica até a elaboração de gráficos de análise, feita nos laboratórios de informática do campus.

Os alunos Giovana de Souza Pimenta, 13 anos, do 8º ano, e Anna Clara Florindo, 14, e Júlio Henrique Lima, 16, ambos do 9º ano, estão no projeto desde o início e revelam que além do conhecimento  obtido  a convivência com as instalações do campus mostrou para eles uma realidade antes tão distante.

Agora eu pretendo seguir nessa área de estudo da ciência. Antes, queria ser advogado, mas depois dessa participação do projeto de análise de areia, passei a querer seguir uma carreira mais na área técnica, principalmente no trabalho com minério”, revela Júlio Henrique.

“Não é sempre que alguém estende a mão para a gente, então resolvemos aproveitar essa oportunidade e estamos gostando muito”, diz Giovana, que assim como Anna Clara pretende fazer a prova para fazer o curso técnico integrado ao ensino médio no campus.

Tutora do projeto, a professora de Geografia da escola Julieta Deps Tallon, Tânia Montenegro, afirma que a possibilidade de convívio dentro do campus é o diferencial para o grupo de bolsistas, formado por 10 estudantes do sexto ao nono ano da escola municipal. “O interessante do projeto é esse contato dos nossos alunos, que vivem em uma realidade de risco social, com uma instituição como o Ifes, e mostrá-los que existem novos horizontes, uma perspectiva  em que seus sonhos podem ser realizados”.

Córrego dos Monos

Os professores Josiane Carmo e Flávio Cerqueira participam dos projetos do campus. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Outro estudo executado pelo Campus Cachoeiro que foi aprovado pela Fapes e começou suas atividades de pesquisa no fim do ano passado foi o projeto “Um fato, um dado e uma ação: por um Córrego Vivo”, do professor Flávio Costa Cerqueira, do curso de Engenharia de Minas, em parceria com a escola estadual Professora Amélia Toledo do Rosário, do distrito de Córrego dos Monos.

De acordo com a professora tutora do projeto, Josiane Carmo Menezes, os próprios alunos da escola, localizada na zona rural da cidade, se inquietavam em relação à situação de abandono da região. O Córrego dos Monos, distrito localizado a 15 quilômetros do centro de Cachoeiro e que tem uma população de 2 mil pessoas, se mantém através do cultivo de hortaliças e verduras nas margens do córrego que dá nome à comunidade e que sofre com a poluição.

“Os alunos se mostraram bastante motivados para encarar essa pesquisa sobre a degradação do córrego. Praticamente metade da escola participou do processo seletivo para a escolha dos 10 bolsistas. Até agora foram coletadas informações sobre as nascentes do córrego, os motivos de sua poluição e as possibilidades de recuperação”, explica a professora, que dá aulas de Ciências na escola.

Desde novembro, os alunos passaram a ter reuniões quinzenais de alinhamento teórico com o professor Flávio Cerqueira e duas bolsistas do campus, além de  visitarem os laboratórios da instituição. Está prevista ainda uma visita na região do Caparaó para conhecer rios e córregos limpos e, por último, os estudantes farão atividades de campo com pesquisa.