No Campus Vila Velha, o  Grupo de Estudos em Microscopia (GEM) leva informação e encantamento a crianças de 7 anos

Quem passa às 8 horas da manhã de uma segunda-feira no Campus Vila Velha tem a possibilidade de encontrar uma turminha de crianças de 7 anos reunida em um corredor. Enfileirados, com os olhinhos brilhando, eles mal conseguem disfarçar a empolgação de um novo encontro com os professores do Grupo de Estudos em Microscopia (GEM). O nome parece complicado para meninos tão pequenos, mas a alegria dos participantes prova que não há idade para se encantar com o fantástico mundo da ciência.

Por cerca de uma hora, observam objetos em um microscópio que eles mesmos aprenderam a manusear e conhecem novos conceitos de biologia e matemática, por exemplo, sem deixar as brincadeiras de lado.

Alunos participam de projeto no Campus Vila Velha

Criado em 2011, em uma parceria entre os campi Vitória e Vila Velha, o Grupo de Estudos em Microscopia tem o objetivo de romper os muros da academia e mostrar que a ciência está no dia a dia de todos nós e não só dos pesquisadores. Os encontros mensais com alunos da escola estadual Desembargador Cândido Marinho, localizada no bairro Soteco, são um dos braços do bem-sucedido projeto, que foi alçado a programa em 2014, quando ampliou ainda mais suas atividades e passou a ser tocado exclusivamente pelo Campus Vila Velha.

“Começamos com palestras para os níveis de graduação, pós-graduação e mestrado. Depois, trabalhamos com alunos do ensino médio. A sugestão de apresentar a microscopia para crianças surgiu em 2014, quando fechamos uma parceria com a  Microscopy Global, projeto da Organização Não Governamental (ONG) Science House Foundation”, relembra a coordenadora do GEM, a professora do Ifes Glória Maria de Farias Viégas Aquije.

Aula no laboratório se transforma em uma grande diversão. Fotos: Tati Hauer -Estúdio Gazeta

De olhos atentos nas lentes dos microscópios, os pequenos são guiados por diversas áreas do conhecimento. Quando Glória pergunta se eles se lembram de algo do que aprenderam no ano passado, quando a turminha iniciou o projeto no Ifes, logo surge uma enxurrada de respostas. “O sangue tem leucócitos”, diz um. “As minhocas têm listrinhas”, recorda outro.

“Nosso principal objetivo não é que eles saiam experts em plaquetas e leucócitos, mas despertar a curiosidade, o interesse pelo estudo. Queremos que eles saibam que existe algo além do que eles estudam em sala de aula”, afirma Glória.

A professora da turma, Maria Cristina Gonçalves Siqueira, também defende a metodologia. “Os temas abordados são amplos, posso falar sobre os animais, sobre unidades de medida e escalas, sobre o corpo humano e alimentação”, diz.

Além do projeto com crianças, o GEM mantém atividades voltadas para alunos do instituto e para a comunidade externa, com palestras e minicursos sobre as diversas áreas de atuação da microscopia, do diagnóstico médico à botânica, passando por geologia e nanotecnologia.

Uma equipe multidisciplinar conduz os futuros cientistas, com brincadeiras e teatro. Até uma música, sobre os componentes do sangue, foi composta pelos participantes do projeto e é cantada a plenos pulmões pelas crianças. E mostrando que tudo se aproveita quando se trata de transmitir conhecimento, a letra da música foi usada pela professora em sala de aula para ensinar sobre métricas e rimas.

“Acho que a interdisciplinaridade tem que ser fomentada desde cedo nas crianças. Assim elas passam a entender que a ciência faz parte do dia a dia e que, quando elas não conhecem e não aplicam, elas têm um entendimento parcial do mundo. O programa insere bem cedo essas crianças no contexto da descoberta e de uma maneira lúdica, dinâmica, sem traumas”, resume o professor das áreas de Bioquímica e Toxicologia do Ifes Thiago de Melo Costa Pereira.