Campus vai sediar o Laboratório de Tecnologia Cerâmica, que estudará tipos de argila que existem no Estado, áreas para exploração, além de ter condições de analisar produtos acabados

Inaugurado em 1941, o mais antigo entre as unidades do Ifes no interior do Estado, o Campus Santa Teresa vai escrever mais um capítulo de sua contribuição técnica e acadêmica para o desenvolvimento da economia no norte capixaba. A escola vai sediar o Laboratório de Tecnologia Cerâmica (Teccer), fomentando o desenvolvimento do setor, que gera cerca de 3 mil empregos diretos e 7 mil indiretos no Espírito Santo. O projeto foi possível após assinatura de um Acordo de Cooperação em 2015 entre o campus, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-ES) e o Sindicato das Indústrias de Olaria da Região Centro-Norte do Espírito Santo (Sindicer-ES).

“Vamos estudar os diversos tipos de argila que existem no Estado para saber quais são as regiões que têm potencial para exploração de matéria-prima e remeter essas informações para a indústria, que passará a ser mais certeira nas indicações e no pedido de licenciamento para exploração. Vamos conseguir pontuar para as empresas quando elas podem e se vale a pena ou não explorar determinada jazida”, diz o professor José Júlio Garcia de Freitas, responsável pelo Teccer.

Professor José Júlio diz que as informações vão facilitar o trabalho da indústria. Foto: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Quatro estagiários dos cursos de Agronomia e Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas vão atuar desde a etapa de amostragem até o estudo superficial do produto final. Além disso, poderão pôr em prática estudos aprendidos em sala de aula, como análises termogravimétricas, conhecimento maior dos minerais regionais, e a abertura de um leque profissional para eles, que poderão trabalhar na área ambiental e de mineração.

Atualmente, as análises das argilas utilizadas nas empresas capixabas são enviadas para São Paulo. Para Márcia Volpi, proprietária da Cerâmica Arco-Íris, poder contar com o serviço mais próximo das empresas vai baratear a produção. “Quando chegava o resultado da análise, nós já tínhamos terminado de extrair o material daquela área. Agora teremos a facilidade de fazer análise dentro de casa, no nosso município e poder ver qual a matéria-prima que estamos extraindo, melhorando assim a qualidade dos nossos produtos”, afirma.

Setor

Segundo levantamento do Sindicer, a região norte do Estado concentra o maior potencial do setor ceramista. De Santa Teresa a Colatina existem cerca de 14 empresas, sendo São Roque do Canaã o maior polo de cerâmica do Estado. De acordo com o assessor do sindicato, Jhonatan Benfica, o laboratório vai auxiliar na capacitação dos funcionários das empresas, que poderão praticar e aprender como agregar insumos a argila.

“A produção da cerâmica é igual uma receita de bolo, você tem que conhecer os ingredientes que está usando. Temos que estar cientes da qualidade da argila do nosso Estado. A aproximação do Ifes com o sindicato, com os professores e com a Federação da Indústria vai tornar o laboratório uma referência no cenário nacional, já que no país são poucos que fazem esse tipo de serviço”, explica Jhonatan.

Além da análise das jazidas de argila, o laboratório também terá condições de estudar o produto acabado, como telhas, blocos e revestimentos, e também quais insumos descartados de outros setores, como o de rochas ornamentais e madeireiro, poderão ser absorvidos na produção da cerâmica. Segundo o professor José Júlio Garcia de Freitas, a indústria cerâmica tem uma capacidade ampla de aproveitamento de resíduos de outros segmentos.

“O Estado tem um passivo de rochas ornamentais significativo que pode ser solucionado sendo remetido à produção de cerâmicas. Vamos estudar a possibilidade de dopagem da argila com outros materiais, como granito e mármore. A aplicação desses resíduos seria uma vertente para uma melhoria significada do material produzido no Espírito Santo”.

Equipamentos

O laboratório de análises de cerâmica vai contar com equipamentos de última geração, como um microscópio eletrônico de varredura (MEV), capaz de varrer a superfície de qualquer cerâmica com possibilidade de ampliação de 1 milhão de vezes; um aparelho de espectroscopia de energia dispersiva (EDS), que faz análise química pontual de trincas e porosidades e um aparelho de difração de raio-X (DR X), usado para fazer a caracterização mineralógica das possíveis matérias-primas da argila.