Projeto ajuda a capacitar, melhorar a gestão e captação de recursos de várias organizações

“De que forma podemos contribuir para o desenvolvimento das comunidades que estão ao nosso entorno?”. Foi a partir dessa pergunta feita na sala de aula para os estudantes dos cursos técnicos integrado ao ensino médio  do Campus Guarapari que nasceu o projeto “Capacitar: Rede de Disseminação de Tecnologias Sociais”. O grupo é formado por 19 instituições sociais da cidade em parceria com vários cursos oferecidos no campus, com participação de 161 estudantes e nove professores de cursos técnicos, de graduação e pós-graduação.

As autoras da pergunta provocativa foram as professoras Helliene Soares Carvalho e Eduarda de Biase Ferrari. A partir dela, alunos do curso de Administração foram para a comunidade, visitaram instituições sociais, conversaram com as pessoas envolvidas e trouxeram as demandas que as instituições tinham.

“Foi percebido que um dos maiores gargalos que as entidades têm é profissionalizar a gestão, pois a maioria conta com voluntários que não são necessariamente capacitados nessa área. A elaboração de projetos para concorrer a editais de captação de recursos vindos da iniciativa privada era uma das principais dificuldades que as entidades sofriam”, afirma Helliene.

Participantes do projeto “Capacitar: Rede de Disseminação de Tecnologias Sociais”. Foto: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Os professores analisaram de qual forma poderiam intervir e foram conhecer essas instituições. O Campus Guarapari realizou uma oficina no ano passado para contar histórias de sucesso de outras instituições, para pegarem o “modo de fazer” e tentar replicar no seu local. “Todas as instituições se envolvem e se sentem participantes, uma respeita o trabalho da outra. Agora, uma dá suporte para a outra na elaboração de um projeto. Queremos que essa mentalidade de troca seja mantida”, afirma a professora Eduarda Ferrari.

Os representantes das entidades se reúnem uma vez por mês para troca de experiências e alinhamento de atividades em conjunto. Para 2017, a ideia da Rede é trabalhar no modelo de mutirão de serviços envolvendo estudantes dos cursos técnicos em Administração, Mecânica e Eletrotécnica e graduações em Administração e Engenharia Elétrica. A primeira versão está sendo aplicada na nova sede da Apae de Guarapari. Alunos dos cursos de Eletrotécnica e Engenharia vão preparar a instalação elétrica da sede prevista para ser inaugurada em julho.

“A Rede é de grande relevância para o protagonismo social dos nossos usuários. Ela é uma forma de nos capacitar, melhorar a gestão e captação de recursos. A troca de experiências é constante e as tecnologias sociais usadas por uma entidade tem contribuído para a melhoria de parcerias”, afirma Roberta da Silva Boone, assistente social da Apae Guarapari, que possui cerca de 100 alunos de 2 a 60 anos.

Outra entidade que faz parte da Rede, a Pestalozzi de Guarapari, que atende cerca de 750 pessoas na cidade, também destaca a parceria com outras instituições sociais e com o suporte oferecido pelo Ifes. “A Rede se disponibilizou a visitar a Pestalozzi de Guarapari e entender as nossas necessidades, desde o planejamento estratégico até as questões mais técnicas como criação do site da entidade”, explica Samira Mendonça, assistente social da Pestalozzi.

A professora Helliene ressalta a importância da instituição: “O Ifes é um espaço público e gratuito, e a população deve entender que esse espaço é delas. A troca de conhecimento no universo acadêmico será importante tanto para as entidades como para os alunos, que terão muito a aprender com essas associações que fazem um trabalho na sociedade há tantos anos”.