“Águas do Espírito Santo” coordena ações de preservação e recuperação dos recursos hídricos por meio de trabalhos de pesquisa e projetos de extensão

A proximidade com o Rio Doce despertou nos estudantes do Campus Colatina a necessidade de realizar ações voltadas para a recuperação da bacia hidrográfica. As frentes de trabalho foram reunidas no projeto “Águas do Espírito Santo”, que coordena ações de preservação e recuperação dos recursos hídricos do Estado por meio de trabalhos de pesquisa e projetos de extensão.

Professores e alunos vão a campo fazer pesquisas. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

De acordo com o coordenador do  Tecnólogo em Saneamento Ambiental do Campus Colatina, Abrahão Elesbon, a ideia surgiu depois do projeto “Diagnóstico Científico do Rio Doce”, realizado em 2014 em parceria com a Rede Gazeta.

O “Águas do Espírito Santo” pretende abraçar iniciativas que existem de forma isolada no Campus Colatina. “Durante o levantamento do diagnóstico do Rio Doce, notamos que algumas ações que propusemos poderiam ser replicadas para o Estado inteiro. Diante da seca histórica, era muito mais do que urgente fazer trabalhos nessas áreas. O programa está sendo desenvolvido de forma embrionária em Colatina, mas a ideia é replicá-lo na conservação de todos os recursos hídricos capixabas”, afirma Abrahão.

O projeto reúne 20 estudantes de praticamente todos os cursos do campus, como Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Saneamento Ambiental e Administração. Outros 20 alunos de cursos técnicos integrados ao ensino médio estão sendo formados para se tornarem educadores ambientais nas escolas do município.

Para o professor Abrahão Elesbon, o desastre ecológico ocorrido no fim de 2015, que encheu de lama a bacia do Rio Doce em praticamente toda a sua extensão, impactou diretamente no projeto e deu uma identidade ambiental grande para todos os envolvidos.

“Não tinha como não se envolver. Tínhamos acabado de fazer o Diagnóstico do Rio Doce e já achávamos que estava ruim, mas aí veio a lama. Por serem moradores da região e terem uma relação direta com o rio, os alunos sentiram na pele os efeitos do desastre. Foram impactados pela falta de água, ajudaram no salvamento de espécies animais. Eles entenderam que suas pesquisas têm uma importância muito grande de prevenção e correção”.

Os dados coletados serão apresentados ao público por meio de um site de monitoramento atualizado periodicamente. No sistema, o usuário terá acesso fácil a informações sobre os recursos hídricos do Estado. O projeto-piloto compreende  dados sobre o trecho do Rio Doce no Espírito Santo.

Bolsista Matheus Nardi

“A proposta é fazer um site com todas as informações dos projetos realizados dentro do programa Águas do Espírito Santo. A página terá um mapa interativo com uma visualização em alta definição de fotos de satélite com informações atualizadas como a qualidade da água e profundidade do rio”, explica o bolsista Matheus Nardi, aluno de Sistemas de Informação, responsável pela criação do site.

A estudante de Saneamento Ambiental Larisse Ramos está na frente de trabalho que coleta dados para o aplicativo. “Nos últimos seis meses fizemos um levantamento dos principais rios afluentes que compõem a bacia do Rio Doce. Posteriormente, essa pesquisa pode ser expandida com novas informações, desenvolvendo um banco de dados mais conciso e preciso para que essas informações possam ser disponibilizadas e, assim, otimizar a gestão da bacia com dimensionamento para que se faça uma gestão melhor elaborada”.

Além da análise da qualidade da água, a pesquisa também engloba o reflorestamento da região ao entorno do Rio Doce, por meio do Projeto Semeando Verde. O trabalho executado por estudantes do  Tecnólogo em Saneamento Ambiental está determinando a extensão da área degradada e elaborando um estudo sobre quais espécie podem ser restabelecidas.

“Realizamos uma caminhada ecológica atrás de sementes em áreas originais de Mata Atlântica. Colocamos essas sementes para germinar em viveiros e após um tempo faremos a transferência para o local onde está degradado. É um trabalho de formiguinha, que colherá frutos daqui a décadas”, compara o estudante Alexandre Alves Valente.

Larissa Ferraz e Juliana Lopes, alunas de Arquitetura e Urbanismo, estão há seis meses no projeto e estudam a redução dos impactos humanos no rio através da implantação de um projeto urbanístico bem executado. “Como temos uma urbanização intensa, tudo acaba sendo jogado no sistema de drenagem e levado para o rio. Colatina ainda tem um agravante que a legislação surgiu depois que a cidade já estava em crescimento desordenado. Logo, tudo foi construído fora das normas necessárias”, afirma Juliana.