Curso do Programa de Apoio às Agroindústrias do Noroeste Capixaba tem melhorado a produção e ampliado a renda de famílias da região

Há quase 20 anos no ramo de carnes defumadas na zona rural de Barra de São Francisco, Belarmino Rosa Filho tem a certeza que seu negócio nunca cresceu tanto como nos últimos dois anos. A produção, que antes era feita na cozinha de casa, ganhou um espaço próprio, em uma residência com freezers exclusivos, carnes embaladas a vácuo e outras inovações. A produção aumentou e a renda também. O divisor de águas foi o curso de capacitação feito dentro do Programa de Apoio às Agroindústrias do Noroeste Capixaba, iniciativa do Campus Barra de São Francisco, em parceria com a prefeitura da cidade, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Sindicato das Micro e Pequenas Empresas do Estado do Espírito Santo (Sindimicro-ES).

O primeiro ciclo do programa será finalizado em junho deste ano com a realização da terceira mostra dos produtores, que será apresentada em uma feira na praça central do município. A proposta do programa é manter um trabalho contínuo. O grupo capacitado nessa  etapa será avaliado a cada trimestre após o fim do curso. No segundo semestre serão abertas novas vagas.

Início

O projeto começou em 2015 e teve continuidade com a realização de cursos, em maio de 2016, com o objetivo geral fortalecer a iniciante agroindústria de Barra de São Francisco, gerando oportunidade de trabalho e renda no campo. Várias oficinas foram realizadas quinzenalmente, com temas como  gestão  da produção rural, até informações jurídicas, tributárias e licenciamento ambiental.

Ao todo, 13 produtores de pães, bolos, queijos, embutidos e defumados, polpas de frutas, salgados, cachaças e doces de Barra de São Francisco, Mantenópolis e Água Doce foram capacitados durante a primeira etapa, que envolvia pequenas empresas. Segundo a professora Fernanda Chaves da Silva, coordenadora do programa, as aulas tinham foco em tecnologias de processamento, padronização visual e boas práticas de manipulação dos alimentos e higiene.

“O grande desafio era tirar os pequenos agricultores da informalidade. O primeiro ponto é o acesso à informação, que eles não tinham. Era preciso oferecer uma capacitação profissional, principalmente em gestão e padronização de produtos. Eles sabiam fazer, mas não tinham técnicas para manter um processo produtivo”, lembra Fernanda.

Professores da área de Administração e Direito do Campus Barra de São Francisco ofereceram oficinas de fidelização de clientes, licenciamento ambiental, direito do consumidor e lei tributária, padronização visual dos produtos e higiene pessoal. O projeto contou ainda com a participação de alunos do curso de Design da Ufes, que criaram a identidade visual dos produtos, como as marcas das agroindústrias.

Wendel, Fernanda, Eliane e Belarmino apresentam os produtos caseiros. Fotos: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

No caso da família de Berlarmino, o período de informalidade foi deixado para trás. Hoje agroindústria está regularizada no setor formal, possui CNPJ, nome e até uma marca estampada nos embutidos, defumados, linguiça, bacon, salaminho e lombinho. “Levanta a nossa autoestima o reconhecimento do consumidor, que percebe um produto de melhor qualidade, embalado a vácuo, apesar de continuar sendo uma produção caseira, conseguiu agregar valor ao produto final”.

Mudanças também aconteceram na parte da comercialização. “Mudamos a nossa forma de expor o produto na feira. Usamos um balcão resfriador adaptado, tendas novas, com melhor acomodação do produto. A tradição antiga de deixar a carne exposta na barraca da feira ficou para trás”, afirma o produtor.