Projeto do Campus Ibatiba ensina soluções naturais para trabalhadores rurais em propriedades de quatro distritos da região

“Tudo que a natureza produz serve de adubo para ela mesma”. A frase do agricultor Roselito Nantes Hybner resume bem a ideia propagada no curso de Agricultura Familiar Orgânica, um projeto do Campus Ibatiba, que mudou a forma de produção de trabalhadores rurais em propriedades de quatro distritos da região: Córrego dos Rodrigues, Córrego do Perdido, Santa Maria e Carangolas. Produtores foram instruídos a fazer a transição para a agroecologia, aprendendo a trocar o uso de qualquer produto químico e fertilizante por soluções naturais.

O projeto é voltado para pequenos produtores de base familiar e que têm o café como principal fonte de renda. De acordo com o professor Arnaldo Henrique, coordenador do projeto, a implantação do modelo agroecológico caminha junto com a educação ambiental. “Propusemos aos agricultores a implantação de uma tecnologia social chamada Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais). A ideia é implementar a diversificação de cultivo e usar a própria lavoura com fonte de insumo”.

Venilson Rosa tem atenção especial com o gado e as plantações. Foto Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Em pouco tempo, os 30 agricultores capacitados nas duas primeiras turmas do projeto passaram a experimentar o uso das técnicas agroecológicas e já relatam melhoria na saúde da família e a elevação da qualidade dos seus produtos. Um dos exemplos ocorreu na propriedade de Venilson Rosa, morador do Córrego dos Rodrigues. Produtor há 28 anos, ele garante estar vivendo o melhor momento de cultivo. A propriedade, que antes só tinha café e algumas cabeças de gado leiteiro, passou a dividir espaço com um galinheiro e uma horta circular no meio do terreno.

Tudo funciona em ciclo sustentável. O que sobra da horta, uso para alimentar as galinhas e o gado. Os animais me dão o esterco para adubar a lavoura de frutas, que além de alimentar minha família, contribui com folhagem e casca para a compostagem que vai ser usada no café. Frutas e verduras que comprava, agora produzo dentro de casa”, afirma Venilson.

Além disso, ele diversificou a produção, apostando no rodízio de culturas e em frutas como laranja, banana e abacate, que são plantadas no meio do cafezal. As frutas que caem dos pés ajudam de forma direta na adubação dos cafezais, além de gerar uma produção e renda nos períodos entressafra do café.

Produção de uva ganhou ainda mais sabor com as novas técnicas.

Já Roselito Nantes Hybner eliminou o uso de agrotóxicos na propriedade há três anos. Ele trocou a química pelo uso de micro-organismos eficazes (EM), cultivados a partir da coleta de fungos em arroz integral cozido. O resultado da utilização de recursos naturais já fica evidente na produção de uvas das espécies Niágara e Isabel. A fazenda virou ponto de visitação para turistas e outros produtores, que vêm para ver a experiência de produção de uvas sem agrotóxicos.

“Um cacho produzido com agrotóxico não atinge 600 gramas. Aqui, conseguimos produzir de até 900 gramas com o uso de compostagem orgânica e húmus líquido. Isso sem falar que o uso do veneno colocaria em risco a minha saúde e a de quem compra os meus produtos. A folhagem é mais bonita, e a qualidade, sabor e vigor da uva está melhor. Nossa uva já foi parar até na França”, comenta orgulhoso Roselito, que teve na última safra cerca de oito toneladas de uva produzidas em 900 pés plantados em menos de meio hectare.