Trabalho de consultoria e assistência feito pela empresa júnior do campus, a Caparaó Jr., tem melhorado o plantio de café

A região do Caparaó, no Sul do Espírito Santo, divisa com Minas Gerais e Rio de Janeiro, é conhecida nacionalmente por ser uma das maiores produtoras de café do país. Mas o sucesso que antes era obtido apenas pelas grandes propriedades, agora também é vivido pelos pequenos cafeicultores de propriedades familiares. Parte desse êxito vem da parceria com a Caparaó Jr, uma empresa de alunos do curso de Tecnologia em Cafeicultura, do Campus de Alegre.

Nos últimos sete anos, a empresa júnior tem desenvolvido trabalhos de consultoria e assistência técnica a cafeicultores do sul-sudoeste capixaba e da região das Matas de Minas, compreendendo 15 municípios (nove capixabas e seis mineiros), totalizando 1.600 produtores de pequeno porte e agricultura familiar. De lá para cá, foram dezenas de títulos para a região do Caparaó no concurso nacional da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).

De acordo com o presidente da Caparaó Jr., Eduardo Sudré, a empresa presta serviços de análise de solo, assistência técnica, análises foliares, visita a campo, reuniões de planejamento e gestão do agronegócio, assistência personalizada e incentivo à criação de associações.

O primeiro contato é uma reunião na comunidade, com um bate-papo para listar as dificuldades. Provamos ao produtor que não estamos ali para vender nenhum produto, e sim para auxiliar na sua produção e para capacitar o agricultor para ter um respaldo frente ao mercado”, diz o presidente.

Em 2013, a Caparaó Jr. começou a contribuir com projetos de capacitação para que os cafeicultores começassem a investir na produção de cafés diferenciados, com agregação de valor ao produto, instalação de torrefadoras e cafeterias familiares, oferta de café torrado e moído, além de participar em eventos regionais, nacionais e internacionais.

Experiência

Desde 2016, a Caparaó Jr. utiliza o laboratório de classificação e degustação de café do campus, no qual, além de oferecer capacitação a alunos e comunidade, pode receber amostras de café vindas da região, com intuito de classificá-las e potencializá-las a um mercado superior à commoditie.

Mayk implantou a capacitação de agricultores na propriedade da família. Foto: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Ex-presidente da Caparaó Jr e formado no Campus de Alegre, em 2013, Mayk Henrique Souza agora presta serviços na empresa júnior. Morador do município mineiro de Divino, a 130 quilômetros de Alegre, implantou a capacitação de agricultores em sua propriedade familiar. Além de aumentar a área de lavoura que já possuía, ele conseguiu reduzir a compra de insumos e elevou a produção de café.

“Nossa propriedade é pequena, tem três alqueires, e após fazer a análise de solo, começamos a obter resultados positivos. Aumentamos a quantidade de lavouras e agora estamos construindo um secador de café para passarmos a investir no ramo de cafés especiais”, afirma Mayk. Em sua propriedade, com 10 mil plantas, onde antigamente conseguia a produção 40 sacas de café, agora são colhidas 75 sacas.