A Eco Arte na Praça reúne artesanato e boa gastronomia do município de Venda Nova do Imigrante

Tudo começou com a ideia de transformar em artesanato o papel que seria jogado fora todos os dias no Campus Venda Nova do Imigrante. A proposta deu certo, foi crescendo, e resultou na criação de uma feira que vem se tornando referência na região quando o assunto é cultura, lazer e sustentabilidade. Presente no calendário oficial de eventos da cidade desde o ano passado, a Eco Arte na Praça já se tornou a maior feira do município e recebe em média 600 visitantes em cada edição, sempre no primeiro sábado do mês.

Projeto Eco Arte foi criado em 2012 pela professora Maria José. Foto: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

A feira nasceu como um braço do programa Eco Arte, iniciado em 2012, pela professora Maria José Correa de Souza, que propôs um projeto de pesquisa e extensão para oferecer oficinas de como reaproveitar o papel descartado diariamente no campus na construção de objetos artísticos e utilitários, e que poderia gerar renda para a comunidade.

 

O sucesso  foi tão grande que, depois de dois anos, surgiu uma questão: por que não criar um espaço para vender esse artesanato? Na cidade não havia uma cultura de feiras, então tivemos a ideia de ter um local para expor e vender os produtos. Assim nasceu a Eco Arte na Praça, unindo artesanato e gastronomia local. A primeira edição aconteceu em novembro de 2015”, explica Maria José.

Montada na Praça Padre Emílio, ao lado da Igreja Matriz, a feira conta com 30 barracas de  artesãos e 15 de produtos gastronômicos, como comida feita a base de polenta e socol. A proposta é contar com expositores que dominem o processo, e não atravessadores que apenas revendessem produto. “Queremos transformar a Eco Arte em uma referência em artesanato no país inteiro, trabalhando com produtos diferenciados e com sustentabilidade”, frisa a professora.

Mudança de vida

Patrícia Neide Moura transformou o hobby em profissão com a ajuda do projeto do campus. Foto: Alex Gouvêa – Estúdio Gazeta

Além de gerar renda, a feira tem mudado a vida dos expositores. A mineira Patrícia Neide Moura mora em Venda Nova do Imigrante há cinco anos, quando deixou sua terra natal para acompanhar o marido, que havia sido transferido a trabalho. Formada em Comércio Exterior, teve que abandonar profissão e, quando já se sentia desmotivada e pensando em voltar para o estado vizinho, conheceu a Eco Arte e resolveu reviver um antigo hobby: criar acessórios infantis, como bonecas, laços, tiaras e grampos feitos de retalhos, garrafas pet e outros materiais.

“Graças à feira passei a viver exclusivamente da arte. O que eu não vendo no dia do evento, comercializo depois, graças aos contatos e a divulgação que a feira proporciona. Comecei a vender pela internet. Penso até em abrir uma loja na cidade”, afirma Patrícia, que hoje faz parte do comitê gestor da feira, que seleciona os novos artistas que vão participar do evento.

Outro projeto do Eco Arte foi a criação de um curso para os artesãos que participam da feira, ensinando como agregar valor ao produto. A capacitação é feita em parceria o campus, o Sebrae e a Ufes, através do projeto Moinho, do curso de Design. “Quando você compra um artesanato, está comprando a história do produto. Vem junto com uma identidade do artista. Nosso desejo é que a cidade se aproprie da feira. A Eco Arte não é apenas nossa, é de toda a cidade”, conclui Maria José.